terça-feira, 19 de junho de 2012

Berros e choros em "grupos de oração" da RCC - O perigo do sentimentalismo

Hoje conto uma experiência minha e de muitos católicos que viveram e vivem a fé com muito sentimentalismo.
Pra começar a história, relembre o dia em que você sentiu aquela fisgada, Jesus te pescando, seu momento de conversão.
Nesse dia, aposto que você queria mudar o mundo, certo? Dava vontade de falar de Jesus pra todo mundo, vivia numa choradeira com qualquer música que ouvisse. Na missa queria colocar pra fora todos os sentimentos e etc.
Aí, chega o momento em que a “fé” esfria. Não sentimos mais nada, e na maioria das vezes se perguntamos pra Deus: “Você me abandonou? Porque não sinto mais nada?”.
Pergunto uma coisa: Aquele sentimentalismo todo era fé realmente?
Diz o autor da carta aos Hebreus o seguinte: ”A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”. (Hb 11,1)
Podemos também afirmar que é a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se sente.Na biografia de santa chamada Gemma Galgani conta-se que ela havia recebido os estigmas de Cristo muito cedo. Ela sempre oferecia seus sofrimentos à Deus em expiação pelas almas. Um fato interessante da vida dela é que vivia uma vida tão santa, que era sempre vista com uma luz muito forte quando estava orando e recebia flagelações de demônios durante sua vida. Nossa Senhora aparecia muitas vezes em sonhos.
Certa vez Jesus apareceu para ela e fez um propósito para sua vida : Não sentir nada quando orasse, ter indisposição para a oração, sofrer por não sentir mais um pingo de emoção ao orar, ao ir na Missa, nem quando fosse receber os Sacramentos.
Jesus propôs isso a Gemma Galgani porque queria que ela sentisse o que Ele sentiu na sua Paixão, ou seja, muita angústia e medo a ponto de dizer: “Pai, porque me abandonaste?”
Ela aceitou e com muita paciência, mesmo não sentindo nada, mesmo com tantas doenças que assolavam a vida dela (problemas estomacais, não parava nenhum alimento no seu estômago, e ainda piorava com o incomodo das chagas), perseverou na oração, aguentou os açoites do demônio e oferecia tudo a Deus.
Isso era fé realmente pois ela não sentia mais nada, mas mesmo assim tinha fé que Deus não iria desampará-la e, na vida futura, ou seja, no céu, iria gozar da presença de Deus.Jesus também disse para Tomé quando não cria na Sua Ressurreição: ”Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 20,29)
Como então não deixar que o sentimentalismo atrapalhe nossa vida espiritual?
A primeira coisa que devemos fazer é não desistir da oração, mesmo se não estiver com vontade, indisposto, tente persistir. Uma boa dica é a reza do terço. Deixe que Nossa Senhora reze com você e por você. “Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”. (Jo 19,27)
Segunda coisa: Se cercar das coisas de Deus e renunciar aquilo que não convém para sua vida. Procure ler as Sagradas Escrituras à Luz do Magistério da Igreja; procure sobre a vida dos santos, pois eles souberam amar a Deus sobre todas as coisas, mesmo com grandes tribulações. Não tenha medo do silêncio, deixe que Deus te dê a Graça de orar, refletir, meditar com muita calma, sem exaltações, porque é muito fácil orar berrando em grupo de oração carismáticos (RCC), (...) a oração de você para Deus no seu quarto, em silêncio não pode ser descartada.
Terceira coisa: Use os Sacramentos da Igreja com frequência: Confissão e Eucaristia. Se examine todo dia e pergunte para si mesmo se você está em comunhão com Deus. Se conseguir, participe da Missa todo dia, comungue todo dia.
Pra terminar, vou deixar uma frase de São Pedro, o nosso primeiro Papa que diz:
“Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa,” (1Pd 1,8)
“porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas”. (1Pd 1,9) FONTE: Repórter de Cristo