quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PADRES CANTORES OU SIMPLESMENTE NICOLAITAS?

HÉLIO DE SOUZA

"MAS ISTO TENS DE BEM: DETESTAS AS OBRAS DOS NICOLAÍTAS, COMO EU AS DETESTO". - (Ap. 2,6) -


1.-  A MÍDIA E A FÉ CATÓLICA:


É fato que a mídia ajuda muito na evangelização dos povos, possibilitando que um número cada vez maior de fieis tome conhecimento de tudo que acontece na Igreja Católica.


A imprensa tipográfica inventada por Johannes Gensfleish zur Laden zum Gutenberg, o rádio pelo físico Guglielmo Marconi, a televisão por John Baird, o cinema pelos Irmãos Lumière e a recente Internet, projetada inicialmente para uso militar, são extraordinários veículos de comunicação utilizados como meio de realizar a ordem dada por Jesus Cristo: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura". - (Mc 16,15).

A Igreja não esta alheia as vantagens advindas da comunicação globalizada, como se vê na Instrução Pastoral, “Communio Et Progressio”, do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais: “2. A Igreja encara estes meios de comunicação social como "dons de Deus", na medida em que, segundo intenção providencial, criam laços de solidariedade entre os homens, pondo-se assim ao serviço da Sua vontade salvífica.”

Entretanto, na moeda além da “cara” existe também a “coroa”.

A mesma mídia que facilita a divulgação da “Boa Nova”, (Rm 10,16), entre os povos e nações é de certa forma, também responsável pela relativização e banalização da Fé na medida em que influencia grandemente na formação do pensamento, na opinião pública, usos e costumes, nem sempre de forma positiva, com responsabilidade, discernimento e coerência.

Os benefícios dos modernos meios de comunicação aos ensinamentos da Igreja Católica são inquestionáveis, todavia, sem a graça, dom gratuito de Deus, de nada valerão.

A Igreja Católica Apostólica Romana, “Corpo Místico de Cristo”, que por Ele foi fundada, (Mt 16,18), indefectível e perene, deve atentar ao fato que os meios de comunicações são instrumentos colocados aos seus serviços e não o contrário.

O Islã ganhou o posto de “religião” com o maior número de fieis, mesmo se caracterizando pela censura aos meios de comunicações. Como isto pode acontecer?

Não seria este o momento propício para que os Senhores Bispos, revejam seus paradigmas na forma de evangelização, no trato com os fiéis, de como utilizar a mídia, voltar a pregar que a prioridade da humanidade é a salvação e não os bens terrenos, "Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?" - (Mc 8,36).

O exemplo de desperdício de tempo, dinheiro e oportunidade de levar a verdadeira mensagem salvífica de Jesus Cristo é o da Igreja Peregrina do Brasil através da “Campanha da Fraternidade”, principal forma de “evangelização” utilizada pela CNBB.

Esta Campanha obsoleta é realizada na Quaresma e teve sua primeira edição em 1964 com o tema “Igreja em Renovação/ Lema: Lembre-se: você também é Igreja”, tendo se passado quarenta e quatro anos e o Brasil, que antes trazia na sua Constituição o catolicismo como a religião oficial vem a cada ano perdendo espaço às diversas seitas de cunho protestante.

Alegar: “o importante e a qualidade e não a quantidade” é leviano e não justifica a omissão de certos bispos e padres que se preocupam cada vez menos em pregar o Evangelho, (Mc 16,15), e preferem atuar como políticos de esquerda apoiando as CEB’s, MST, PT e a TL.

Para sopesarmos a importância desse método de evangelização, basta pedirmos a algum católico praticante que cite qual foi o tema de um determinado ano, ou que cite, ao menos, três temas de qualquer ano, dificilmente alguém se lembrará. Deveriam se preocupar mais com a redenção da humanidade, assim como Jesus Cristo ensinou: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo".- (Mt 6,33). É erro grave não priorizar o tempo propício de conversão da Quaresma com uma catequese sadia, que leve ao encontro de Cristo. O homem verdadeiramente convertido evitará o pecado, não será ganancioso ou egoísta, amará o próximo como a si mesmo, ajudará os mais necessitados, preservará o meio ambiente, em especial, a floresta amazônica, não por seguir doutrina marxista, mas por amor a Jesus Cristo e a sua Igreja, fora da qual ninguém se salva.

A Carta Encíclica Mortalium Animus, do Papa Pio XI, nos ensina: " Os esforços [do falso ecumenismo] não tem nenhum direito à aprovação dos católicos porque eles se apoiam sobre esta opinião errônea que todas as religiões são mais louváveis naquilo que elas revelam, e traduzem todas igualmente, se bem que de uma maneira diferente, o sentimento natural e inato que nos leva para Deus e nos inclina ao respeito diante de seu poder(...) Os infelizes infestados por esses erros sustentam que a verdade dogmática não é absoluta, mas relativa, e deve pois, se adaptar às várias exigências dos tempos e lugares às diversas necessidades das almas". (...) "Os artesãos dessas empresas não cessam de citar ao infinito a Palavra de Cristo: ‘Que todos sejam um. Haverá um só rebanho e um só pastor’(Jo XVII,21; X,16), e eles repetem esses texto como um desejo e um voto de Cristo que ainda não teria sido realizado. Eles pensam que a unidade da fé e de governo, característica da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu no passado e que não existe hoje... Eles afirmam que todas ( as igrejas) gozam dos mesmos direitos; que a Igreja só foi Una e Única, no máximo da época apostólica até os primeiros Concílios Ecumênicos(...). Tal é a situação. É claro, portanto, que a Sé Apostólica não pode por nenhum preço tomar parte em seus congressos, e que não é permitido, por nenhum preço, aos católicos aderir a semelhantes empreendimentos ou contribuir para eles; se eles o fizerem dariam autoridade a uma falsa religião cristã completamente estranha à única Igreja de Cristo".

Insta ressaltar o dogma de fé: “fora da Igreja não há salvação" - (Concílio IV de Latrão, de 11 a 30 de novembro de 1215, convocado pelo Papa Inocêncio III (1198 - 1216)).

Ensina o Apóstolo combatente: "Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! É, porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo".-Gl.1,9 –10.

Imbuído nesse espírito é que a CNBB deveria nortear seus ensinamentos, suas Campanhas e os padres, seus sermões, suas ações, orações, seus exemplos e seu sacerdócio.

Diferentemente, alguns padres propagam o falso ecumenismo com suas doutrinas heterodoxas em prejuízo do que a Igreja sempre defendeu como sendo Verdade pura e imutável.

Os Católicos, em sua grande maioria, não conseguem defender a fé católica, não por que já não a amam, mas por desconhecimento, por falta de quem lhes ensine a Verdade. O relativismo religioso, a imprudência e a insensatez imperam em muitos seminários e, como não poderia deixar de ser, atingem seu ápice nos púlpitos com “sermões” de cunho socialista.

Já não é seguro matricular nossos filhos nos cursos de formação ministrados por diversas Paróquias, correm o risco de entrarem católicos e saírem protestantes. Os catequistas doutrinados, em boa parte, por adeptos da moribunda “Teologia da Libertação”, se preocupam mais com o homem material que o espiritual, com o corpo mais que a alma, ignoram o ensino bimilenar da Igreja, deixam à margem a Sã Doutrina e partem em busca de perigosas novidades.

Na consagração, quando ocorre à transubstanciação, muitos católicos já não se ajoelham, menosprezam o Sagrado Direito de Nosso Senhor Jesus Cristo, garantido por seu Pai, desde o início dos tempos: “8. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes,10. para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos.11. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor. 12. Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor, não só como quando eu estava entre vós, mas muito mais agora na minha ausência. 13. Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar. 14. Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas,15. a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo,16. a ostentar a palavra da vida.” - (Fl.2); - * - * - “22. ...A verdade sai de minha boca, minha palavra jamais será revogada: todo joelho deve dobrar-se diante de mim, toda língua deve jurar por mim,24. dizendo: É só no Senhor que se encontra a vitória e a força. A ele virão envergonhados todos aqueles que se tinham levantado contra ele; 25. mas toda a raça de Israel achará no Senhor o triunfo e a glória.” - (Isaías 45:23-24).


2.- PADRES CANTORES OU SIMPLESMENTE NICOLAITAS?


O insigne Doutor da Igreja, São Jerônimo, já dizia: "Procurando na História quais os homens que têm difundido na Igreja o veneno das heresias, não encontrei outros senão os padres".


Quantos sacerdotes se apresentam em programas de televisão, travestidos de leigos, usando maquiagem e roupas de grifes, ao lado de mulheres escandalosas e seminuas, onde não raramente são ridicularizados, pactuando com apresentadores ferrenhos defensores do homossexualismo, promiscuidade, aborto, eutanásia, com o uso de células troncos embrionárias, inimigo das virtudes, amigo dos vícios e obstinados adversários da Fé Católica, etc.!

Nessas tertúlias assistem tudo calados ou então, o que é pior, em busca de popularidade, apóiam opiniões e comentários desairosos, fitando garantir aplausos e a efêmera permanência na mídia, são ridículos, irresponsáveis e indiferentes “padres-galãs” que pagam qualquer preço pelo sucesso de que são escravos. Trocam a fé pela fama, são falsos profetas que não anunciam e nem denunciam. Chegam ao ponto de deixar de citar, em seus livros, sua condição de padre, que deveria ser objeto de maior orgulho, sob a alegação de que esse título prejudica sua vendagem. Nesse viés, ainda reclamam da falta de vocações sacerdotais e religiosas! Agindo assim, suas obras não são exatamente iguais aos dos NICOLAÍTAS?


Etimologicamente NICOLAÍTA vem do grego é compõe-se de duas palavras: “Nikao”: “Conquistar” e “Laos”: “Povo Comum”. Assim, NICOLAÍTAS significa: “Aquele que conquista ou domina o povo comum ou leigo” – “Conquistadores de leigos”.

O Padre não pode agir assim, transigir com o erro, deve se atentar para que a evangelização esteja em conformidade com a orientação do Magistério da Igreja. Até que momento os “padres cantores” são padres e quando começam a ser artistas? O povo tem livre acesso aos sacerdotes/artistas/galãs? E, se os procuram recebem orientações são catequizados ou apenas pousam para fotografias e recebem autógrafos nos CDs, DVDs, livros ou pôsteres?

O cotidiano desses padres galãs/exibicionistas é o mesmo dos demais sacerdotes “comuns” da Diocese a que fazem parte? O que pensam esses galãs do culto de veneração aos Ícones Sagrados, da Missa Tridentina e da Tradição da Igreja? A Igreja Católica Apostólica Romana, Corpo Místico de Cristo, realmente precisa dos “padres cantores”, com suas mensagens pobres de ortodoxia e abundantes em obscurantismo, abusos e imprudência?

Daí vem outra pergunta que não quer calar: O Patrono dos Párocos, São João Maria Batista Vianney - Santo Cura d’Ars, tinha contrato exclusivo com qual gravadora, qual era o preço dos ingressos de acesso aos seus shows e show-missas? Ora, não foi para assistir a esses shows que milhares o visitavam todos os anos. Quando queriam encontrá-lo dirigiam-se à Igreja, Missas e confessionário, nunca aos palcos de “show de missas-tecno rock”.

Os tempos são outros? Não! Ainda existem sacerdotes comprometidos e coerentes com a Sagrada Escritura, Sagrada Tradição, Sagrada Doutrina e com o Sagrado Magistério da Igreja. Um exemplo? Monsenhor Enoque Donizetti de Oliveira, pároco da Paróquia de São João Batista, no município de Arceburgo, diocese de Guaxupé, MG, não é um Padre Cantor ou galã, mas da um verdadeiro show de ortodoxia católica, serve de arquétipo àqueles sacerdotes, que pretendem atuar em consonância com o Verdadeiro Catolicismo.

A Igreja Católica Apostólica Romana, começou ao “pé do ouvido”, nas catacumbas, até pouco tempo atrás, antes do rádio, televisão e internet ela era amada por todos.

Os meios modernos de comunicação são importantes, mas, não podemos achar que seja a única forma e solução para evangelização de um mundo globalizado. A solução está na Verdade revelada! Não são as redes de televisões, estações de rádios, jornais, livros, revistas e internet que atraem o povo a Jesus Cristo e a sua única religião, que é a Igreja Católica. Quem o atrai é Ele próprio: "E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim". (Jo 12,32). Atrair os homens é função indelegável de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossos Bispos e Padres não devem utilizar de qualquer meio heterodoxo para chegar até seus fieis, como fazem os protestantes, devem se comprometer com a defensa da Verdade imutável.

Os Bispos e Padres precisam acautelar-se, não agir impulsivamente, obedecendo à perenidade do modismo que, por ser passageiro muda a cada dia. O povo almeja o Reino de Deus, (Mt 6,33), tem sede de Deus e deve ser no manancial límpido, inodoro e potável da Igreja Católica o local em que conseguirá saciar sua sede nesta fonte de “Água viva” - (Jo 4-10)!

É imperativo formar padres comprometidos com salvação das almas, que saibam tratar os fiéis como filhos, padre é sinônimo de pai, não apenas como “fãs”. Agir como pastores e não como um ídolos, buscando por popularidade, aplausos, fama e fortuna. O galã (Padre Cantor) hoje faz sucesso, vende milhões de cópias de CDs, DVDs, milhares de livros, de conteúdo duvidoso, frequenta programas de televisão, reportagens em jornais e revistas, realiza shows, show-missas, mas amanhã, quando o sucesso findar, serão substituídos e esquecidos pela mídia. Esquece que ao abraçar o sacerdócio, se comprometeu em dedicar toda sua vida a serviço de Jesus Cristo e sua Igreja. Existem galãs sem paróquias, gastam todo o seu tempo com shows, entrevistas, autógrafos, com sua legião de fãs, com seu próprio ego. Esses pseudo-artistas não têm tempo para celebrar o “Sacramento da Eucaristia”, transubstanciar o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, (Mt 26,26-28), honra que os Veneráveis Serafins não têm, “Nem a Santíssima Virgem pode fazer o que pode um sacerdote.”-(Hugo Wast). No entanto, prudentemente, Nosso Salvador nos adverte: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" - (Lc 18,8).


3.- MÍDIA,  FÉ CATÓLICA, “PADRES CANTORES” E OS LEIGOS.


Totalmente perdidos, entre a mídia e os “Padres Cantores” se encontra o “Povo de Deus”-(1Pd 2,10), sem desiderato, sedento de Cristo, abandonado e entregue à sua própria sorte. Alguém pode discordar dessa afirmativa, afinal de contas, os shows e shows-missas estão repletos... de fãs... não de católicos comprometidos. Os que por lá se aglomeram buscam pelo artista e suas “canções novas”, mas vazias de conteúdo, não estão no local para ouvir a “Boa Nova”, (Rm 10,16), se confessarem, o que é impossível. Naquela Babel, quem está preocupado com a Verdade absoluta e imutável, em carregar sua cruz, em ser Católico e discípulo de Cristo?Não questionamos a importância do leigo na evangelização, longe disso, onde o Padre não puder se fazer presente este deverá suprir sua ausência, mas comedidamente, sem ter a pretensão de substituí-lo. Todavia, em algumas paróquias, por comporem o círculo de amizade do Padre, estes recebem atribuições de tal sorte que se arrogam de direitos que não possuem. Com a clericalização dos leigos e laicização dos padres, apropriam-se de funções reservadas aos Ordenados. Esses “escolhidos”, despreparados, presunçosos, incautos e sem limites, na ânsia de demonstrar seu poder, metem os pés pelas mãos. A ocasião propícia para evidenciarem esse “poder”, sua auto-afirmação, é durante a Celebração Eucarística quando desvirtuam a liturgia e desfiguram o “Sacrifício incruento do calvário” o tornando irreconhecível e inominável.


A Igreja promulgou diversos documentos tratando da importância dos leigos, mas não podemos olvidar que o sacerdócio é atribuição do padre! - "Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão". - (Hb 5,4).


Um dia, não muito distante, quem sabe, esses galãs se livrem do deslumbre dos holofotes da fama, que os cegam, e recobrem a consciência da grandiosidade de sua missão para a conversão da humanidade ao REINO DE DEUS, e se tornem autênticos SACERDOTES.