sábado, 22 de maio de 2010

RC"C" - A fonte fictícia da juventude

Pedro Henrique Maitan Pelogia

Numa entrevista ao Jornal da Opinião de Belo Horizonte, Padre Joãozinho defende a RC"C" e superexalta o movimento arqueo-teológico que pretendeu resgatar as origens perdidas do Cristianismo "original", quando seguramente São Paulo vendia DVDs de suas pregações, São Pedro comandava as raves da "cristotéca" e o Mago Simão dava show de acrobacias aéreas...


http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2010/05/17/entrevista-sobre-a-rcc-para-o-jornal-de-opiniao-%E2%80%93-belo-horizonte/


Destaco aqui os pontos que considerei os mais rocambolescos à luz do meu modesto conhecimento de Fé católica.


A Renovação Carismática Católica, como é conhecida no Brasil, pretende um retorno às fontes da fé cristã, conforme sugeriu o Concílio Vaticano II.


Este padre nada mais faz do que endossar a falsa acusação protestante de que a Igreja num certo momento da história deixou de ser conduzida pelo Espírito Santo - mais precisamente após Constantino declarar o cristianismo a religião oficial do Império - e que o aparecimento deste movimento irônicamente advindo do protestantismo veio levar de volta a Igreja ritualista e monárquica às suas "fontes genuínas". Resta-nos saber se os "carismas" vendidos pela RC"C" são rigorosamente os mesmos carismas conferidos de modo direto pelo Espírito Paráclito às primeiras comunidades cristãs.


Disse São Nilo Eremita no século V, em Profecia reconhecida pelo magistério da Igreja http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1037188&tid=5316472568433163421&start=1
, que nos últimos séculos a inteligência dos pastores estaria de tal modo obscurecida que não saberiam distinguir o caminho à direita ou à esquerda. Pois bem: tal premonição parece ter caído como um raio na cabeça doutorada de Padre Joãozinho, que fantasticamente consegue adular a RC"C" e a TL ao mesmo tempo e inacreditávelmente ignorar as diferenças mastodônticas e os fins totalmente dispersos das duas correntes de pensamento que insistem em dizer-se católica, já que hoje tudo tornou-se católico, até mesmo as discotecas. É uma mistura de nausear:


J.O. Podemos dizer que o movimento representa para os seguidores, um novo pentecostes?


Pe. Joãozinho: Exatamente. Este foi um dos pedidos do Papa João XXIII ao anunciar a abertura do Concílio. Aliás, ele pediu que a Igreja vivesse um novo pentecostes e que fosse uma “Igreja dos pobres”. Poderíamos interpretar que as duas profecias do papa da bondade se realizaram. O novo pentecostes acontece intensamente nos nossos dias e é cuidadosamente cultivado na RCC.A Igreja dos pobres recebeu seu selo latino-americano a partir da Conferência de Medellín e, principalmente, de Puebla, em que ficou clássica a “opção preferencial pelos pobres”. As Comunidades Eclesiais de Base se tornaram um emblema desta cultura da solidariedade para com os pobres. A Teologia da Libertação procurou reler os velhos conteúdos da fé, a partir desta solidariedade com os excluídos. Temos aqui duas correntes carismáticas que formam as feições da Igreja no Brasil nestes últimos quarenta anos: a RCC e as CEBs. Ambas foram cuidadosamente reafirmadas na sua identidade na recente Conferência de Aparecida.

Padre Joãozinho refere-se a um "novo pentecostes", e penso ser a parte menos infeliz de sua entrevista, pois se é NOVO quer dizer que é inédito, e não o Pentecostes que fundou a Santa Igreja Católica.

Já o Papa João Paulo II, de não tão saudosa memória para os tradicionalistas, havia condenado a Teologia da Libertação e definido este vício teológico como heresia que visa a introdução do comunismo na Fé. Mas a proibição do inesquecível "papa da paz" não é obstáculo para o Padre Joãozinho, que por si mesmo prova que só aceita do Magistério Petrino aquilo que lhe convém, como aliás todo o Clero e Episcopado brasileiro faz. Para o dr. Joãozinho o Papa não pode condenar parte da identidade da Igreja brasileira!


Os padres da RC"C" que não sabem mais "evangelizar" atuando APENAS COMO padres e sustentam o esfarrapado pretexto de estarem evangelizando melhor sendo cantores, dançarinos, instrumentistas, galãs, surfistas, fazendo do sacerdócio um bico, possuem a conhecida mania tosca de adotarem apelidos diminutivos. Todavia, parece que padre Joãozinho não diminuiu apenas seu nome: diminuiu também a gravidade da crise que assola a Igreja; diminuiu os escândalos que causam a divisão dos católicos e diminuiu a ação do demônio neste caos criado por seus agentes.


Assim como algumas imprecisões da Teologia da Libertação foram indicadas pela Santa Sé, na década de 1980.


A Santa Sé não só indicou problemas na Teologia da Libertação, como condenou esta heresia marxistóide na Igreja, coisa que Padre Joãozinho omite aos leitores do Jornal da Opinião.

Todos os Bispos brasileiros que visitaram o Vaticano ad limina entre 2009 e 2010 ouviram Bento XVI condenar a Teologia da Libertação que, sem sombra de dúvida, é a linha mestra de atuação da infeliz conferência episcopal tupiniquim.

Para fundamentar o que digo, valho-me dos links da própria firma aonde trabalha o Padre Joãozinho:


Papa condena TdL e Bispos repercutem: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=274901


Por muitas vezes e de várias formas o Papa João Paulo II condenou a Teologia da Libertação: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/category/teologia-da-libertacao/



Padre Joãozinho faz apologia a uma teologia oficialmente condenada por dois Chefes da Igreja, e ainda tem coragem de querer tirar o cisco do olho dos "cismáticos" tradicionalistas...

Se toda a Igreja aderisse ao estilo da RCC, certamente haveria um empobrecimento.


Que calma! Haveria uma debandada geral das ovelhas católicas para o matadouro dos lobos que são as seitas, e se a RC"C" comandasse geral a própria Igreja seria mais uma seita neopentecostal. Indisfarçadamente é este o objetivo da Renovação Carismática, que não leva este nome à toa: os carismas que a Santa Igreja entesourou em 2000 anos não são verdadeiros nem eternos para os modernistas neopentecostais, eles querem RENOVÁ-LOS, para que deixem de ser os carismas exercidos pela multidão de santos que conduziu a Santa Igreja através dos séculos.


Em alguns lugares [onde se encontra a RC"C"] observa-se também a carência de formação litúrgica.


Hilário! Dizer tal besteira equivale a um delegado da PF dizer que em alguns lugares do Brasil há consumo e tráfico de drogas!

Onde se faz presente a RC"C" há abusos e deturpações litúrgicas, além de profanações eucarísticas da mais sacrílega espécie.

Os carismáticos possuem um dom tão infalível em desmontar a liturgia que o próprio Monsenhor Bugnini duvidaria. Nem mesmo a liturgia compacta, insossa e dessacralizada que o Concílio Vaticano II bolou eles respeitam, fazendo de suas missas e celebrações nada mais que a festa do Rei Jesus, dum protocolo real tão burlesco e vexatório que o mais exótico rei terreno rejeitaria.

Não pode haver seriedade litúrgica e tão pouco piedade nos meios carismáticos. O centro da Missa e da liturgia deles não é Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o cantor, galã ou palestrante que comanda o evento e fala em seu próprio nome.


A RCC vive a experiência da presença e ação do Espírito na Igreja e em cada cristão.

Mas se a RC"C" crê que o Espírito Santo é seu garoto-propaganda, por que vive uma EXPERIÊNCIA de Sua Presença?


A Igreja Católica e Apostólica vive por conhecimento certo e indiscutível a solene certeza da ação do Espírito Santo, e não uma mixa "experiência", como se duvidasse da ação do mesmo Espírito Santo.

A RC"C" se dá à experiência dos fiéis: muitos dos que experimentam este veneno morrem espiritualmente e vão sepultar-se na heresia.


Os carismas dados pelo Espírito são como que ferramentas que tornam possível esta obra para além da pura eloqüência.


Uma verdade, enfim! Os carismáticos, embora bastante loquazes, não dão muito valor à esse negócio de eloqüência e tampouco à qualidade da mesma: o "dom do blá-blá-blá", milhares de anos-luz distante da glossolalia praticada no início da Igreja, é a mais consistente prova desta assertiva de padre Joãozinho.

Os carismáticos não se preocupam muito com a qualidade doutrinal de sua eloquência, mas são generosos na quantidade da fala: a homilia é a parte mais importante da missa carismática, onde o sacerdote brinca de pastor pentecostal e prega até onde a livre inspiração desapegada da doutrina católica lhe der fôlego!


O grande teólogo Yves Congar chegou a falar de um “setor livre”; um espaço eclesial onde o Espírito age independente das decisões da Igreja. Ele não pede ao bispo para suscitar uma nova congregação. Depois a Igreja vai discernir, mas a ação do Espírito é “absolutamente” livre.


De outra feita, antes de fechar seu blogue da internet às críticas dos tradicionalistas, padre Joãozinho e seus asseclas nos perguntavam a que bispos estávamos ligados. Já aqui ele se baseia num teólogo ecumenista depressivo condenado por Pio XII (mas perito do Concílio Vaticano II!) para dizer que o Espírito Santo age fora das determinações da Igreja. Poderia dizer ao padre Joãozinho que dom Lefebvre sagrou 4 Bispos sem autorização de João Paulo II por ação independente do Espírito Santo, será que ele aceitaria à luz das idéias do cardeal Congar?


Existe uma diferença entre as duas formas de ser Igreja [RC"C" e TL]. Não diria antagonismo.

Diria o quê?

Disse o Senhor Jesus que todo reino dividido contra si próprio ruiria. Como pode haver duas formas diferentes de "ser Igreja" se a Verdade é uma só e estas formas serem harmônicas entre si?


Finalmente, perguntado sobre as críticas que a RC"C" recebe, o bom-mocismo declara:


É saudável para a RCC. Vejo que onde ela recebe críticas, cresce mais consistente.


Não aprovarei mais comentários [anti-RCC] desta natureza para poupar meus leitores da perda de tempo. O tempo é um dom precioso que Deus nos dá. Perdê-lo é pecado. Se você é adepto destas idéias cismáticas [tradicionalistas], procure seu próprio espaço virtual para divulgar suas idéias. Tenho dito!!! Ui, que medo!!!

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/09/07/decisao/
E fechou-nos seu blogue, aberto somente "às mensagens plenas de doçura", como versejou o professor Orlando Fedeli, que no magistral Duelo do Subsistit fez o doutor Joãozinho concluir que era tempo de calar e ensacar a viola. Mas Padre Joãozinho não se calou, não aprendeu com a surra retórica que apanhou diante dos internautas e continua repetindo suas besteiras desafinadas com a Fé católica nos meios de comunicação que ele tanto adora.


Arrematando a entrevista Padre Joãozinho reproduz um discurso de saudação do Papa em Fátima, interpretando-o como uma fala entusiástica do Pontífice em relação à diversidade dos movimentos eclesiais modernos - a palavra "movimentos", no plural, aparece várias vezes, por isso! Ao olhar de Padre Joãozinho, o Papa está saltitando de felicidade pela diversidade dos movimentos eclesiais, que tanto bem e tão bom serviço presta à Igreja pós-conciliar multitudinista, desesperada em conter os fiéis dentro de seus limites, sem no entanto empregar métodos eficazes para isto.


Sei que é difícil, mas rezemos por padres assim.

6 comentários:

Ana Maria Nunes disse...

O novo pentecostes acontece intensamente nos nossos dias e é cuidadosamente cultivado na RCC

Temos aqui duas correntes carismáticas que formam as feições da Igreja no Brasil nestes últimos quarenta anos: a RCC e as CEBs.

Quando digo que ele é um canalha, tem gente que diz que exagero.

Renato disse...

Mais herresias carismáticas!

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2010/05/25/roma-tera-dia-de-retiro-carismatico-para-sacerdotes-em-8-de-junho/

olegario disse...

Renato,

Num breve comentário, vai minha doce e nobre intenção para esse encontro "neo-pentescostal-carismático-renovado":

Queima eles "Jesuis"!!
Queima eles!!

Bordão protestante que todo cancioneiro rccista compreende bem.

Olegário

Lázaro disse...

Os ‘carismáticos’, vivem em uma procura constante e infinita de uma identidade católica, promovendo encontros em Roma, participando de encontros que estão o alto clero, mas devido sua alto performance protestante ‘pentecostal’, que corre nas veias ‘carismáticas’ está procura nunca chega ao fim.

Lázaro

Evandro Monteiro disse...

Só um pequeno adendo:

"Queima ele, Jezúis, queima ele.
Queima ele, Jezúis, até torrar!"

Xiricatnalaxiricantalaallahuakbarererê! Salamaleque!

olegario disse...

"Queima ele, Jezúis, queima ele.
Queima ele, Jezúis, até torrar!"

Xiricatnalaxiricantalaallahuakbarererê! Salamaleque!
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Ô Glória "Sinhô"!!!!


Abraços Evandro!

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Lázaro, sua definição sobre o tema é perfeita!

Essa turma vive em Roma buscando uma aproximação com o sagrado, tentando a todo custo dar uma "roupagem" de catolicidade para inglês ver..

O que não percebem é que o problema deles não é geográfico.
Isso é de matéria espiritual.
Até porque, Padre Gabriele Amorth ( lí os livros dele) nos revelou que o Vaticano esta infestado de satanistas.
Concluindo: Estando em Roma Eterna ou em Cachoeira Paulista, a situação deles continua.
O pecado só mudou de lugar.