quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quarenta anos de penitência


Lá se vão 40 anos da “Nova” orientação da Igreja, 40 anos desde o término do Concílio Vaticano II, 40 anos da RCC, alguns chegam a dar a data exata dessa nova orientação, desse novo “derramamento do espírito Santo”, ou melhor, do novo “MERECIMENTO” do Espírito Santo, como sendo exatamente 1966 como diz Monsenhor Jonas! Nada mais arrogante e blasfemo do que esses pensamentos.


Todos sabem ou deveriam saber, pois depois da nova orientação da Igreja, as pessoas acabaram esquecendo verdades Cristãs, mas o número 40 na bíblia significa um tempo de penitência, como Jesus ter ficado 40 dias no deserto sendo tentado, o povo Judeu ter andado 40 anos no deserto sem rumo pagando por seus pecados, 40 dias e 40 noites do dilúvio, e diversas outras passagens, todas representando um tempo de penitência, que ao final se converte em um tempo de Luz, um tempo de boas novas. Esperamos que após esses terríveis 40 anos de crise da Igreja também aconteça esse novo tempo de luz e esperança. Já é possível ver alguns fachos vindos da Santa Sé, como o Sumorum Pontificum, o Spe Salvi, e alguns outros documentos prometidos para breve, talvez esse tempo de trevas na Santa Igreja esteja se desfazendo após esses 40 anos em que caminhamos no deserto sem rumo buscando uma orientação, esse tempo em que a apostasia agiu sem precedentes na Igreja diminuindo o número do rebanho no caso do Brasil que antes era de mais de 90% de fiéis até os anos 60 para 70% após os “novos rumos da Igreja” na última década, isso sem citar os casos gravíssimos ocorridos em outros países onde a queda foi alarmante.


Os “frutos” colhidos nesse tempo de penitência são visíveis:Redução do Santo Sacrifício da Missa antes solene para um mero encontro de fiéis em torno da Mesa de Banquete obrigando o Padre a dar as costas a Santa Cruz tornando o Celebrante como objeto principal da Missa e não o Cordeiro de Deus.


Substituição do Latim (alteração litúrgica feita sem permissão), língua universal da Igreja e imutável, pelo vernáculo facilmente modificado no decorrer das décadas o que gerou erros como no caso do “pro multis”.


Permissão aos fiéis de tocarem a hóstia consagrada com as mãos e sua distribuição por pessoas que não o Padre e o Diácono, causando inúmeras profanações do corpo de Cristo, como derrubarem pelo chão e pisotear a hóstia, satanistas que se aproveitaram deste erro para poder pegar o corpo de Cristo para rituais satânicos de profanação como já denunciado diversas vezes, e isto sem contar que o fato de os fiéis poderem tocar a hóstia consagrada com suas mãos acabou retirando a noção de sagrado e de mistério da hóstia, fazendo com que muitos fiéis de fé fraca duvidassem da real presença de Nosso Senhor na Hóstia. Seu recebimento de pé quando deveríamos reverenciar o Senhor de joelhos.


Substituição do Canto Gregoriano onde não havia espaço para “estrelas pops” pela música secular com ritmos e usos de instrumentos desapropriados para o canto litúrgico, onde o Cantor e sua Banda acabam tirando a atenção da Missa.


Introdução de práticas protestantes já no surgimento da RCC, como oração em línguas (blábláblá), diferente da verdadeira oração em línguas apostólica, “Batismo no Espírito Santo”, prática totalmente infundada e confundida com o Batismo Sacramental e a Crisma estes sim um verdadeiro recebimento do Espírito Santo, “Repouso no Espírito”, prática totalmente estranha e que lembra em muito os rituais xamanistas e de pagelança, desaconselhada até mesmo pelos lideres de grupos Carismáticos, sem qualquer obediência.


Falsa noção de que o Espírito Santo atua nas pessoas independente da Igreja, o que gerou ensinamentos desastrosos e heréticos como do Monsenhor Jonas que afirma que o Espírito Santo era já derramado sobre os pentecostais cismáticos antes de ser nos Católicos, e estes, SOMENTE se pertencerem a RCC. Dizer que a efusão do Espírito Santo se faz na RCC como se dela procedesse. Encorajar os fiéis a DESEJAREM receber os dons carismáticos como se fossem prova de que o receptor estaria na graça de Deus.


Individualizar o contato com Deus como uma “experiência pessoal” e não do povo como um rebanho, gerando individualismo e soberba entre os seguidores dessas idéias nada Católicas.


Chamar pessoas de outros grupos católicos ou movimentos para o seu movimento como se ele fosse a verdadeira extensão da Igreja, ou melhor, o verdadeiro caminho da salvação, tirando a legitimação de que para o Católico batizado e crismado basta estar na Igreja independente se participa ou não de movimentos leigos.


Confraternização mundana com pessoas pertencentes a outros credos que não o Católico como se fosse a orientação da Igreja substituindo a evangelização por um “ecumenismo” de aceitação. Concelebração da Missa com ministros NÃO-CATÓLICOS em visível ato de relativismo religioso condenado por todos os concílios da Igreja e recentemente condenado por Bento XVI novamente.


Enquadramento da Igreja Católica não mais como IGREJA MÃE e sim como IGREJA IRMÃ de seitas e religiões não católicas chegando ao cúmulo de participar de um organismo moderno chamado CONIC, onde o presidente é um Pastor da Igreja evangélica de confissão Luterana do Brasil colocando os verdadeiros apóstolos de Cristo apenas como seus secretários. Rebaixando a Cátedra de Pedro a um mero posto de subdelegação.


Essa é uma pequena mostra, esses são apenas alguns “frutos” dessa nova orientação da Igreja patrocinada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II e aprovado pelo mundo.


Analisando os frutos acima com os frutos que Cristo realmente quer para sua Igreja, passamos a analisar os efeitos que incidiram sobre a Igreja sob forma de questionamentos:


Durante os 40 anos de “diálogo” ecumênico com confissões não Católicas, quantas almas foram convertidas para a Santa Igreja Católica?

Houve algum progresso com as Igrejas Ortodoxas?O protestantismo se converteu a Santa Igreja Católica?

Os “não-Cristãos” se converteram ao cristianismo?

Estes seriam os principais objetivos de uma verdadeira evangelização nos tempos modernos.

Durante esses 40 anos de uma relativização da Igreja os “progressos” foram esses:

Criação de uma política anti proselitista para não ofender os cismáticos Ortodoxos, ou seja, eles não aceitam a Cátedra de Pedro e apenas uma unidade de aparência, e a Santa Igreja Católica não deve, onde tiver paróquias ortodoxas, converter os Ortodoxos a Santa Igreja Católica. Essa é parte da missão ostpolitik (politicamente correto) da Igreja nos tempos modernos, a ostpolitik relativiza as relações da Igreja e não só da Igreja, mas também das pessoas. Um exemplo: Um ocidental vai para o Japão, chegando lá é instruído a não dar a mão para cumprimentar um oriental, visto que este gesto é por eles tido como uma afronta devemos nos curvar com as mãos juntas ao corpo, e o ocidental “politicamente correto” mesmo sabendo que o gesto de aperto de mãos é um gesto cordial, não o faz para não ofender nossos amigos orientais. É assim que funciona a política de não proselitismo entre as Igrejas, mesmo sabendo que o gesto de converter qualquer pessoa a Santa Igreja Católica é um ato de caridade e de fé, não o fazemos para não ofender nossos “Irmãos Separados”, o antropocentrismo se tornou a política da modernidade, não agradar a Deus, mas aos homens.


As Igrejas Ortodoxas nunca estiveram mais afastadas da Santa Igreja Católica do que nos tempos modernos, a política com eles as vezes aparenta dar um passo a frente, mas logo em seguida dá dois passos atrás. Quem acompanha sabe do que estou falando. O Papa João Paulo II certa vez quis visitar uma Igreja sob a jurisdição Ortodoxa, e foi severamente repudiado pelos Ortodoxos e aconselhado a não fazer pelos seus secretários. Recebeu inclusive na viagem a Grécia uma ameaça do líder Nektarios Moulatsiotis da Igreja Ortodoxa Grega de que ''pode jorrar sangue por causa desta visita''.Os ortodoxos estão não só separados da Santa Sé, mas estão demonstrando estremo desentendimento entre eles mesmos da Igreja Russa e de outras Igrejas Ortodoxas autônomas para ver quem manda mais.


Isto é o bom fruto de um “diálogo ecumênico”? É claro que não, só um cego não vê no que este diálogo está se tornando, enfraquecimento da Santa Igreja Católica e fortalecimento da apostasia.


No caso do protestantismo temos uma gravidade ainda maior, visto que diferente dos cismáticos ortodoxos, os protestantes não só não aceitam a Cátedra Petrina como também rejeitaram as tradições apostólicas em troca de um fundamentalismo bíblico sem precedentes na história das heresias. Isto gerou nessas seitas, idéias e comportamentos totalmente opostos ao que Cristo e os apóstolos nos ensinaram. A política com eles está se tornando cada vez mais complicada e a chance de corrigir os erros do protestantismo cada vez mais afastados.Basta comparar as Igrejas históricas protestantes como a Luterana, Anglicana e Calvinistas com os pentecostais protestantes, são totalmente divergentes tanto em doutrina como em noção de unidade. Mas todos eles surgiram de dois pré-requisitos: Sola Fide, Sola Scriptura, está aí o pandemônio formado!


O Diálogo entre a Santa Sé e as confissões históricas protestantes estão tão estacionadas como as que estão com os Ortodoxos, não há nenhum consenso por parte dos protestantes e suas heresias se multiplicam dia-a-dia. Um caso típico é o da Igreja Anglicana, que viu nos últimos tempos sua doutrina que tinham alguns resquícios da verdadeira doutrina apostólica ser totalmente alterada quando da aceitação de homossexuais no sacerdócio assim como mulheres, uma parte dessa Igreja chamada de “tradicional” pediu recentemente sua inclusão no seio da Igreja Católica, e para nossa surpresa e surpresa dos próprios Anglicanos AINDA NÃO FOI ACEITA, por conta da ostpolitik. Alguns cardeais modernistas rejeitam completamente este pedido, como no caso do Cardeal Walter Casper, um “dialogador” convicto. Ele está fazendo de tudo para que a conversão em massa de Anglicanos NÃO seja concretizada, e está agindo desta forma ABERTAMENTE, respaldado nada mais nada menos que pelo CVII. Ele “acha” que se aceitarmos o grupo que quer ser incluído na salvação da barca de Pedro, irá ofender os que continuarem cismáticos. Interessante que ninguém pensou isso quando um grupo da FSSPX foi aceito dentro da Igreja sob o IBP! Não estou defendendo a FSSPX, mas está me parecendo dois pesos e duas medidas.


Onde fica o pedido de Cristo? "Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança". (Ef 4,4)


E finalmente os não-cristãos, onde judeus, islâmicos e todas as outras crenças pagãs que antes eram chamados de pagãos, mas por causa do ostpolitik recebem o nome carinhoso de não-cristãos.


A política de “tolerância” religiosa patrocinada nos últimos 40 anos tem fortalecido religiões nao-cristãs como no caso do islamismo que recentemente tomou o pódio de maior religião do mundo em número de fiéis. Eles ao contrário da Ostpolitik, não toleram outras religiões, em diversos países chegando ao cúmulo de executar fiéis muçulmanos que por ventura abandonem o islamismo. O politicamente correto, é bastante evitado no mundo moderno com os islâmicos por medo de atentados terroristas. Recentemente diversos países retiraram seu apoio a guerra no oriente médio por causa de atentados as suas nações e mantém silêncio em relação aos assuntos sobre o oriente médio, mas de maneira interessante é ensinado nos cursos de história que as Cruzadas foram uma força de agressão Cristã aos islâmicos bonzinhos e honestos que por um passe de mágica de repente tomaram conta de todo o oriente médio subindo até a península ibérica e África, saquearam e invadiram Jerusalém e diversos locais sagrados, saqueavam caravanas de fiéis tanto de Católicos como Ortodoxos e Judeus que peregrinavam a Terra Santa cobrando-lhes impostos para que pudessem passar e matando os pobres.


Essa política da idade média de proteção da Igreja através de forças militares é totalmente contra o Ostpolitik moderno, apesar de diversos países manterem forças militares para se proteger, e a ONU ditar as regras nas guerras mandando tropas “de paz” para controlar os fronts. A Igreja já não tem mais esse direito, o da proteção da fé. Tenho certeza que muitos politicamente corretos devem estar de cabelo em pé quando defendo as cruzadas, pois não toleram os “intolerantes”, são os mesmos do “é proibido proibir”.


O diálogo com o islamismo é tênue e unilateral, onde de um lado o islamismo dita as regras e os ecumenistas acatam sem hesitar, qualquer pronunciamento do Papa é tido por eles como um insulto ao herege Maomé e qualquer menção dos Católicos sobre algum líder de qualquer tempo do islamismo é motivo para ameaças e histeria por parte dos islâmicos.De todo o “diálogo” ecumênico com não-católicos o diálogo com os muçulmanos é o menos promissor de todos, para não dizer totalmente infrutífero.


Já com os Judeus a coisa muda de figura, se torna delicada, os Judeus são tidos por eles próprios como “escolhidos de Deus”, eles não entendem que foram preparados para a chegada de Cristo, todo o Antigo Testamento é uma sombra do Novo Testamento, ou melhor, todo o Antigo Testamento prefigura a vinda do Cristo que o suposto “povo escolhido” não acatou como o salvador. Parte dos Judeus, que seriam o verdadeiro povo escolhido, aceitaram Cristo e são chamados CRISTÃOS e estes realmente representam o Cristo, só que este povo Cristão, já não é mais o povo escolhido por questões de etnia, no caso a Judaica, e sim como todo um povo que aceitou o Cristo, tanto pagãos convertidos, como Judeus, Indios, etc, todos agora são o povo escolhido independente de cor ou raça sob o nome de Cristãos. O que restou no moderno Judaísmo são ecos do passado, de um povo que não aceita que Deus tenha acolhido o mundo todo e ainda se julga o povo eleito esperando um Messias que apenas escolha o povo de etnia judaica, sem entender o que Deus lhes quis dizer com essa preparação. Eles abdicaram de Deus no momento em que não aceitaram seu filho Jesus, o qual cumpriu todas as profecias do Antigo Testamento.


O diálogo com os Judeus também é bastante improdutivo, visto que eles tem arraigada uma cultura arrogante de achar que Deus os escolheu por questões de superioridade de sua etnia e não que eles foram escolhidos para servir ao Messias e o pior de tudo é que após a 2ª guerra mundial onde o Nazismo perseguiu Judeus e minorias étnicas, lhes surgiu uma magoa profunda do mundo não-judeu, hoje qualquer tentativa de convertê-los é tida como anti-semitismo, é como tocar nas feridas da guerra. Ninguém percebe que Adolf Hitler foi contaminado pelas heresias de Lutero que escreveu diversos livros contra os Judeus, e nenhuma das prerrogativas de Hitler são ou eram válidas. Não tem nada a ver as idéias nazistas com as tentativas de conversão dos Judeus ao Cristianismo, mas infelizmente os mesmos usam isso aos seus propósitos, usam as feridas da guerra como obstáculo a sua conversão, o nazismo infelizmente os fortaleceu, os tornou orgulhosos de serem Judeus, prejudicou uma possível conversão do judaísmo ao cristianismo.


Estes seriam os objetivos modernos de uma evangelização consciente e verdadeira, esses são os principais obstáculos da conversão a Deus em um mundo “politicamente correto”, esses foram os “frutos” colhidos em 40 anos de uma Nova Igreja, para um Novo Mundo, e eu nem cheguei a comentar sobre a Teologia da Libertação e outros bichos modernos!


Provavelmente estamos num período de penitência para depois alcançarmos as graças de Deus num tempo de Paz.


Quem sabe este período pós-conciliar de desorientação não estejam contidos nas palavras do anjo da visão dos três pastores em Fátima “Penitência, penitência, penitência”! Sabemos que a Santa disse a Lúcia que a mensagem de Fátima deveria ser divulgada em 1960! Porque será que exatamente na mesma década da nova orientação da Igreja, e por que não foi divulgado como pedido?


Leandro Batista

Pax et bonum

Um comentário:

ALEX disse...

SALVE MARIA!
MARAVILHOSO O VOSSO COMENTARIO...
ESTAIS TOTALMENTE CERTO E CONCORDAMOS COM O VOSSO COMENTARIO
ALEX