domingo, 25 de maio de 2008

Somos Católicos Apostólicos Romanos

Bruno Santana

Somos Católicos Apostólicos Romanos, homens passíveis de erros, de faltas, de defeitos, e de cometer pecados, por nossa culpa. Mesmo assim, sem merecimento algum de nossa parte e apesar de nossa tibieza, tivemos a graça especialíssima de conhecer as Verdades Católicas num tempo em que poucos a encontram, e em muitos casos, depois de conhecê-las, ainda assim não as aceitam. Dentre tantos pecadores, por mercê de Deus entendemos o mundo onde estamos inseridos, e o que significa realmente ser católicos. Provavelmente se somos maus, isso se deve por nossa única e máxima culpa. Mas, “aos trancos e barrancos”, compreendemos. Entendemos que esta época registra o auge do afastamento do teocentrismo, que exclui Deus da sociedade e das almas. O homem hoje se fez deus. Se fez Homem, com H maiúsculo. A vontade do Homem é a palavra de Ordem. Hoje se mata, se destrói (ou “se preserva a natureza”), se relativiza tudo e todos, em nome dos “Direitos do Homem”. Mas desgraçadamente isso não acontece apenas nos ambientes secularizados, laicos, não-cristãos, ou anti-cristãos... Este "delírio da liberdade de consciência” está enraizado profundamente na MENTALIDADE da quase totalidade dos batizados. Sejam eles conscientes de seu liberalismo, ou mesmo que ignorem os fatos.
A Sagrada Escritura, A Tradição e o Magistério da Igreja são IMUTÁVEIS e jamais se contradizem, ao contrário: São partes da única Revelação de Deus, e como tal, se complementam e unidas são auto-explicativas. E Toda a Revelação Divina, em suma, diz claramente – quem tiver olhos que veja; quem tiver ouvidos que ouça!!! – Deus é o Centro. Tudo por Deus, nada sem ele!!!
Uma paráfrase da famosa frase de Santo Agostinho, citada na sua obra, Civitas Dei: “Dois amores construíram duas cidades, a saber: o primeiro amor construiu a cidade do Homem, onde o homem foi tão exaltado, que Deus foi posto à margem; o segundo amor construiu a Cidade de Deus, onde Deus foi tão amado, que o homem foi posto à margem".
Eis aí o sentido de tudo!
(Mas poucos entendem que a Felicidade do homem não consiste em colocá-lo no centro, como senhor absoluto... A felicidade é muito mais simples, e muito menos presunçosa. Ela neste mundo é efêmera, e consiste em fazer com que o homem – com h minúsculo - compreenda que para encontrar este pequeno tesouro – prenúncio de um outro permanente e maior -, é necessário alegrar-se por ser exatamente o que é. Por isso digo: Deus me concebeu no Verbo desde o princípio, e meu ser é o resultado de Sua Vontade, desde sempre. Por isso estou aqui, sirvo para isto, fui concebido para nascer nesta época, e sou feliz em ser esta criatura de Deus, que aqui está com um papel definido, e serei ainda mais feliz no dia em que finalmente permitir que em mim Deus reine como o Senhor e o Centro de tudo, para daí corresponder ao Seu Amor, dentro de meus finitos limites, e Nele, amar ordenadamente ao meu próximo, e por conseguinte à Sua Criação... Lógico, esta fórmula não é apenas para mim. É para todo ser humano).

Ora, há quinhentos anos a ordem natural das coisas vem construindo a cidade do homem. Hoje pode-se ver a cidade do Homem no meio dos Filhos de Deus, e não é nem um pouco difícil. Não precisamos apurar os olhos e os ouvidos para constatarmos até mesmo fisicamente EM QUE MUNDO NÓS ESTAMOS. Experimentem entrar em uma igreja paroquial moderna... Que “arte” é essa? Que são aquelas caixas que chamam de sacrários (aliás, onde esconderam?), aqueles paramentos, aquelas altares-mesas, aquelas paredes nuas... Meus Deus... Há anos atrás, ao despertar para a crise da Igreja, olhava ao meu redor muitas pessoas, homens, mulheres, idosos, enfim, pessoas que viveram em tempos pré-conciliares, que tiveram outra educação, que nasceram em um mundo ainda não tão destruído. Como não enrubecem, como não protestam diante de novidades terríveis, como “Ministros e ministras de Comunhão” (Ministros Extraordinários!!!! Antes que alguém corrija...), dos trajes imorais, dos folhetos “de missa”, que não são mais que iniciação ao marxismo ou ao relativismo doutrinário (Quando não são autênticas conclamações à imoralidade)?
Às vezes penso ter perdido o juízo. Será possível? Eu preciso estar errado! Meu Deus, como eu desejaria estar enganado!!!
Nestes ambientes, o silêncio foi proibido. Os instrumentos para “animar” a liturgia são em tudo piores do que as sórdidas cançonetas e os execráveis ritmos. Há coisa mais lastimável do que um padre destes tempos “presidindo” a “comunidade”? Há coisa mais pavorosa do que constatar como os Sacramentos são distribuídos à granel?
Do que se conclui desta anarquia? É simples: hoje, tudo fala ao homem. Até para “dar a Deus o que é de Deus”, percebe-se que é feito de forma a agradar AO HOMEM. Quando se entende o que significa o sentido da palavra TEOCENTRISMO, e quando, estudando a história dos Santos, a construção da Civilização Ocidental, a profundidade da Liturgia, - como os objetos litúrgicos falavam de Deus! Como os cânticos elevavam a alma a Deus, como as homílias inflamavam os corações para a causa de Deus, como o silêncio das igrejas permitia falar com Deus, como se adorava a Santíssima Trindade no Sacrifício da Missa... Enfim, quando a sociedade em geral incentivava a Piedade e perseguia o vício, quando as famílias eram construídas para povoar a terra de Cristãos, quando existiam muitas crianças, e quando os velhos tinham um lugar de honra... Quando os missionários morriam para espalhar o nome de Cristo na Terra, quando não se concebia matar crianças no ventre, apoiados pelo Estado... Diante de tudo isso, que distanciamento!
Claro, neste mundo nunca houve, nem haverá perfeição. Mas, diante do que existe hoje, já tivemos uma noção tênue de um onírico paraíso terrestre.
E o que temos hoje? Fora da Igreja, um caos, isso dispensa maiores comentários. E entre os membros da Igreja? Será necessário dizer que algo vai errado? Claro que não. Ninguém hoje seria tão cínico a ponto de ousar dizer diferente... É uma evidência, hoje vivemos nas densas trevas da ignorância. As profanações imperam. A liturgia é ANTROPOCÊNTRICA.
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Antropocentrismo... Eis aí a palavra que exprime a alma de nossos dias.
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Agora, na religião, no governo e na economia, o homem é o centro. Mas analisemos apenas a religião, porque é a primeira necessidade de todos os homens: É a fome mais urgente.
DEUS É A NECESSIDADE PRIMEIRA, pois então, a religião é o assunto mais essencial.
E aí constatamos a causa de todas as desordens que se seguem. Hoje, especialmente depois da aplicação do “1789 da Igreja, que foi o Concílio Vaticano II” – palavras do cardeal Suenens -, já não há mais valores cristãos. O liberalismo envenenou as mentes. Já não há Altares para Sacrifício, há mesas pra comilança; os hinos são profanos, os instrumentos são usados segundo o desejo da COMUNIDADE... Pode-se ver este desvio de foco especialmente nas grandes cidades, nos ambientes mais cosmopolitas – o que não exime as cidades menores como ambientes religiosamente menos degradados. Hoje, se a paróquia é de afro-descendentes, pouco importa a Grandeza de Deus. A preocupação é colocar atabaques e colorir, para AGRADAR OS PRESENTES. Hoje não existem duas paróquias com a mesma missa, porque em todas elas a preocupação é AGRADAR A COMUNIDADE... Ontem, no Brasil, o grande responsável por expulsar Deus do Santuário e fazer a vontade do Homem foi a Teologia da Libertação. Construíram um Cristo comunista. Adaptaram Nosso Senhor às teses de Karl Marx. Lógico! Para agradar os que crêem no Materialismo Histórico... E se a preocupação PRIMEIRA é fazer a vontade do HOMEM, então aí a
traição se torna evidente.
Colocar o homem no lugar de Deus é a raiz de todas as desordens. É a causa de onde partem todos os efeitos desastrosos!
A Teologia da Libertação fez de Nosso Senhor Jesus Cristo um refém de sua vontade. Fez da Missa, do Dogma, da Santidade, nada mais que um punhado de palavras e gestos vazios, ou pretextos para enfocar questões sociais e luta de classes. Levantaram um baal, um deus pagão, um universal que eles chamam de POBRE. Perverteram o conceito de pobreza, e subtraíram assim muitos membros da Igreja, com um falso amor aos “oprimidos”.
E Deus? Onde fica?
Quanto a RCC esta é simplesmente satânica. Porque se a TL na prática esquece de Deus e de tudo o mais que se aproxime do sobrenatural, não passando de um parasita que almeja inserir-se no seio da Igreja, para transformá-la numa sentinela avançada do marxismo, é necessário dizer que a tática da RCC para causar destruição, é diferente. Ela é um autêntico câncer. É mais perigosa, porque tenta se acercar do sobrenatural, mas é desordenada POR PRINCÍPIO.
Seus fundadores não escondem sua origem protestante. Ora, o protestantismo é a Revolução! A Reforma de Lutero, ao criar rebelião contra a Igreja, estabeleceu o ANTROPOCENTRISMO na religião, quando pregou o livre exame e a livre iniciativa nos assuntos religiosos. Bem, a RCC nasceu de “católicos” que freqüentavam reuniões pentecostais, nos EUA... Eis aí a árvore da RCC: Lutero.
A RCC é em tudo pior que a TL, o motivo é simples: porque ela fala de Deus e engana. Porque ela fala verdades e faz obras escandalosas. Na RCC muitos sabem alguma coisa da Doutrina de Cristo, mas cometem sacrilégios terríveis, como se estivessem entorpecidos. Se a TL é atéia, a RCC é profanadora. Gosta de baile? A SUA VONTADE prevalece. Lá criam-se os "bailes de Jesus". Gosta de rock? A SUA VONTADE prevalece. Criam-se as bandas de "rock católico". Gosta do mundo? A SUA VONTADE prevalece. É só escrever Jesus em uma etiqueta, e "cristianizar" o que é mundano...Mas esperem: cristianizar?
Será mesmo? Não, claro que não. Lógico! Se houvesse uma verdadeira cristianização, A SUA VONTADE não viria em primeiro lugar, mas viria a Vontade de Deus. E em geral, fazer a vontade de Deus é sempre difícil, porque o Caminho de Deus é árduo, sem “repouso no Espírito”. O caminho de Deus não é o de Kiko Arguello (*), não é largo e enfeitado. Ao contrário. É um caminho estreito e pedregoso, de luta, de penitência, de oração, de jejum, de mortificações e de incompreensões por toda trajetória. Hoje, desconfiem dos aplausos, desconfiem das multidões conquistadas. Alguém disse que a unanimidade é burra, e apesar do tom determinista que não pode ser sempre aplicado para todas as situações, ainda assim tem algo de verdadeiro. Afinal de contas, foi a multidão que gritou "Barrabás"... Em suma: a RCC JAMAIS CRISTIANIZA O QUE É MUNDANO. ELA MUNDANIZA O QUE É CRISTÃO. Anestesia as consciências das pessoas, fazendo com que elas coloquem a boate dentro da Igreja, para "se sentirem bem", e viverem mundanamente sem desta forma sofrerem o peso da consciência. Colam na testa do diabo um adesivo escrito “Jesus”, e contam com a conversão dele... Afinal, o show não pode parar, há sempre que se inventar uma Canção Nova...
Mas como diz um ditado grosseiro, porém eficaz, “desgraça pouca é bobagem”... Não só de TL e RCC padecem os membros da Igreja. A crise se espalha por todos os meios, por todos os setores, todas as ordens, todos os movimentos. O Concílio foi à porta de entrada destes erros que vinham forçando as janelas da Igreja há muito tempo. Bastou que um papa viesse “abrir as janelas da Igreja, para deixar entrar o ar fresco”, para que o seguinte, que as escancarou, tenha depois sentido um mal-cheiro, e procurado este odor “por alguma fresta”, esquecendo de fechar as janelas. Lembro-me de uma frase citada no livro Iota Unum, dita por Paulo VI:
"A Igreja se acha numa hora inquieta, de autocrítica, dir-se-ía melhor, de autodemolição. É como uma reviravolta aguda e complexa que ninguém teria esperado depois do Concílio. A Igreja como que golpeia a si mesma".
É... Depois do Concílio...
Santidade, tu o disseste!

Tudo o que nasceu do liberalismo dos condutores do Concílio Vaticano II está corrompido por um antropocentrismo nefasto. Todas as tocas, todos os movimentos que nasceram desta distorção estão em maior ou menor grau contaminados. O Santo Padre terá muito trabalho para separar o joio do trigo...
Há confusão em toda parte. Mesmo entre os católicos que não aceitam o liberalismo conciliar, hoje verifica-se uma oscilação no que se refere ao posicionamento com a Santa Sé. Aproximar-se? Afastar-se? Manter-se estático, esperando a conversão completa do clero e da hierarquia?
Portanto, nossa tábua de salvação não consiste em seguir a maioria, ou sacrificar a inteligência que Deus mesmo nos concedeu a uma obediência cega; Hoje, mais do que nunca, não se pode acolher o que diz o clero, sem conferir as suas palavras em relação à Tradição bi-milenar da Igreja. Tudo o que nos resta é - apesar das dificuldades – tomar como escudo a Doutrina Imutável da Santa Madre Igreja, que transcende a toda tentação de auto-suficiência. É esta a mesma doutrina que Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou, que foi transmitida pelos Apóstolos e confirmada por todos os Concílios Ecumênicos DOGMÁTICOS. Temos obrigação de seguir à risca o que nos ensina o clero, dentro da linha desta Tradição ininterrupta.
Mas... O que resta do Concílio Vaticano II?
Ora, o Concílio Vaticano II é o único democrático, é o único self-service. O único PASTORAL, cujos papas declararam não ser obrigatório aos fiéis. Cujas doutrinas não são dogmáticas, mas pastorais. O único Concílio que não ameaça com a excomunhão, pois não obriga ninguém a crer – palavras de João XXIII e Paulo VI! Consequentemente, o que nasceu dele pode ser acatado segundo a livre consciência de cada um (imaginem, um concílio com Sola Scriputra protestante...), e não é pecado rejeitar nada dele. Sendo assim, Temos um Concílio legitimo, onde um simples fiel pode dizer “não aceito”, e desta forma agir segundo as regras do próprio Concílio... Se alguém perguntar “Então, porque se perdeu tanto tempo para construir algo que fica ao bel-prazer do gênio de cada um?” Bem, não vou responder esta questão, pelo simples fato de que nem mesmo seus construtores nos apresentaram uma justificativa.
Sendo assim, como católicos, devemos aceitar nele o que porventura exista de forma correta (afinal não existe mentira absoluta), mas rejeitar tudo o que há de desordenado, que tenha aberto espaço para o antropocentrismo. E todos os movimentos que nasceram dele, que tenham degenerado desde sua concepção, ou ao longo de seu desenvolvimento. Não se trata de implicância. Basta olhar de perto cada um desses movimentos, que então, de uma maneira ou de outra, se verificará que cada um pende ora para a esquerda, ora para a direita, ora para o centro, mas no fundo não visam inicialmente a glória de Deus. Visam em primeiro lugar agradar os seus membros efetivos. Podem citar Trotsky, Boff, Fidel ou Gutierrez, para agradar intelectualóides leitores de Saramago. Podem jogar baldes de água benta para matar o calor, reduzir calorias com o “Vira de Jesus”, ou barbarizar com cristotecas. Mas existem muitas outras formas, quem sabe recolher alimentos, brincar de regenerar mendigos, e pregar o ecumenismo relativista? Claro, é Obra de Misericórdia dar de comer a quem tem fome, está no Catecismo... Mas o que diferencia a Caridade da Filantropia, é que na caridade, POR AMOR A DEUS, se ama o próximo, e a ele dá os alimentos espirituais e materiais. Na filantropia, POR AMOR AO HOMEM, se distribui apenas a comida material. A pergunta: pode-se ser teocêntrico limpando feridas de mendigos e subindo em palcos de Televisão “Católica”? Será esta a nova evangelização, será este o Cântico Novo, a Canção Nova? Será que a Ordem Franciscana nasceu como a versão esfarrapada do bolsa-família? Não, meus senhores. O Santo mendigo foi ao Egito pregar ao sultão, ameaçando-o duramente com o fogo do inferno, junto a sua corte. Sua Caridade era assim. O alimento que ele distribuia era o Evangelho, a comida material vinha de carona.
Não fazia coreografias ao redor do Santíssimo, nem usava a necessidade dos desafortunados como pretexto para ser divulgado por aí. Porque sabia que Deus era o seu público, e somente Ele bastava para assisti-lo, sem ajuda da “telinha”.
Hoje, no entanto, que fome!!! Quem nos dá de comer?
Bem, se Deus providencia alimentos para as aves no céu e veste suas flores com requinte, até agora não tem faltado aos que O procuram, sinceros. Na verdade, quase sempre, é Ele mesmo quem nos persegue com Seu Amor.


(*)Caminho Neocatecumenal

Um comentário:

Joao Paulo Santos disse...

Uma boa noite!

O Senhor citou Kiko Arguello do Caminho Neocatecumenal, e no texto a impressão que se tem é que o Caminho é a mesma coisa que a RCC. É bem sábido, pelo menor dos bem informados, que o Caminho Neocatecumenal é, nas palavras do BEATO Papa João Paulo II: “Reconheço o Caminho Neocatecumenal como um itinerário de formação católica, válida para a
sociedade e para os tempos de hoje”. Amigo, informe-se sobre o itinerário do Neocatecumenato, que tem plena comunhão com a Igreja, o apoio do Papa Francisco (que já celebrou com catecúmenos), do papa emérito Bento XVI, vide (Cfr.“L’Osservatore Romano”, 24 Fevereiro 2007)..não quero causar intrigas e tão pouco entrar em discussão. Somos uma mesma Igreja, a única. Entendo sua preocupação. Mas dizer o Vaticano II foi um erro é afirmar que Cristo não está na Igreja, e que o Espírito que a conduz "falhou".