quarta-feira, 12 de março de 2008

Não “novos pecados”, mas o velho ponto cego da mídia


por Phil Law
ler especial para CWNews.com

Mar. 10, 2008 (CWNews.com) – Quanto terminou sua entrevista ao L’Osservatore Romano, o Arcebispo Gianfranco Girotti provavelmente pensou que sua mensagem principal fora um apelo aos Católicos para usarem o sacramento da Confissão. Pouco sabia ele que a mídia de língua inglesa divulgaria a entrevista como uma nova lista de pecados revisada.

Arcebispo Girotti, o regente da Penitenciária Apostólica, falou ao jornal do Vaticano a respeito de “novas formas de pecado social” em nossa era. Ele mencionou transgressões como destrutivas pesquisas com embriões humanos, degradação do meio ambiente e tráfico de drogas. Em poucas horas, dúzias de fontes de mídia estavam sugerindo que o Vaticano tinha revisado radicalmente os Dez Mandamentos, publicando uma lista de “novos pecados”.

Como de costume, um jornal Britânico lançou na página principal a mais sensacional e ilusória cobertura. O Daily Telegraph fez a ridícula chamada de que a lista do Arcebispo Girotti substituía o tradicional entendimento católico dos sete pecados capitais:

Isto substitui a lista originalmente redigida pelo Papa Gregório Magno no 6º século, que incluía inveja, gula, avareza, luxúria, ira e orgulho.
Poderíamos olhar para a realidade, por favor?


Quando um oficial do segundo escalão do Vaticano dá entrevista a um jornal, ele não está proclamando novas doutrinas da Igreja. Arcebispo Girotti estava obviamente tentando oferecer uma nova, provocativa perspectiva em algumas verdades permanentes. O esforço explodiu antes da hora – mas de uma forma muito reveladora.

Um leitor comum, baseando suas opiniões apenas na cobertura inútil do Telegraph pode concluir que um “pecado”, no entendimento católico, não é nada mais que uma violação a regras impostas por um grupo de homens em Roma. Se essas regras são inteiramente arbitrárias, então os oficiais do Vaticano podem mudá-las conforme querem; alguns pecados cessarão de existir e outros “novos pecados” os substituirão. Mas essa noção de pecado é absurda.

Pecado é um objetivo errado: uma violação à lei de Deus. O que é pecaminoso hoje sera pecaminoso amanhã, e um pecado capital continuará capital, reconheça ou não os editores do Telegraph o perigo moral. A lista tradicional de pecados capitais continua intacta; nada a substituiu. Avareza, gula e luxúria são tão errados hoje como foram há um dia, um ano ou um século atrás. Se o Arcebispo Girotti se referiu a “novos” pecados, é porque algumas das ofensas que ele nomeou (como a manipulação genética) eram impossíveis no passado, e outras (como o tráfico internacional de drogas) são muito mais predominantes hoje, numa sociedade global. Quanto tais pessoas poderiam estar engajadas nessas atividades há um século através, elas seriam pecaminosas da mesma forma.

Um pecado não é um pecado simplesmente porque um arcebispo o proclama. Sim, nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, “é uma ofensa contra a razão, verdade e a reta consciência...”. Os preceitos de “razão, verdade e reta consciência” não mudam em resposta a direções políticas, nem mudam conforme o capricho de oficiais do Vaticano.

O ponto fundamental da entrevista do L’Osservatore Romano era que os católicos precisavam recuperar o sentido de pecado, fazer uso do sacramento da Confissão e receber a absolvição por suas ofensas. Pecado, o arcebispo insistiu, é uma realidade que o homem não pode escapar.

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