segunda-feira, 10 de março de 2008

MORTE DO ESPÍRITO MISSIONÁRIO

QUESTIONAMENTO E DIÁLOGO
MORTE DO ESPÍRITO MISSIONÁRIO


O QUESTIONAMENTO


Temos visto que o espírito-católico não tem suficiente confiança na verdade. O espírito conciliar, por sua vez, perde a esperança de conseguir chegar na verdade; sem dúvida a verdade existe, mas ela passa a ser objeto de uma procura sem fim.
Veremos que isto significa que a sociedade não se pode organizar sobre a verdade, verdade que é Jesus Cristo. Em tudo isto, a palavra chave é questionamento”, ou orientação, tendência para a verdade, procura da verdade, caminho para a verdade. Na linguagem conciliar e pós-conciliar encontra-se com abundância os termos “movimento” e “dinâmica”.

Com efeito, o Concílio Vaticano II canonizou a procura em sua Declaração sobre a liberdade religiosa: “A verdade deve ser procurada conforme o modelo próprio da pessoa humana e de sua natureza social, ou seja, por meio da livre procura....”. O Concílio põe a procura em primeiro lugar, antes do ensino e da educação. Entretanto a realidade é outra: as convicções religiosas são impostas pela educação das crianças, e uma vez que estão fixadas nos espíritos e
manifestadas nos cultos religiosos, para que procurá-las? Por outro lado, muito raramente a “livre procura” conseguiu alcançar a verdade religiosa e filosófica. O grande Aristóteles não está isento de erros. A filosofia do livre exame acaba em Hegel...E também que dizer das verdades sobrenaturais? Eis o que diz São Paulo falando aos pagãos: “Como poderão crer, se não lhe fazem prédicas? Como poderá se pregar, se não lhes enviam missões?” (Rm 10, 15).

Não é o questionamento que a Igreja deve pregar, mas a necessidade das missões: “Ide e ensinai todas as nações” (Mt 28, 19), tal é a ordem dada por Nosso Senhor. Sem a ajuda do Magistério da Igreja, quantas almas poderão encontrar a verdade, permanecer na verdade? A livre procura é um irrealismo total, no fundo um naturalismo radical. Na prática, qual a diferença entre quem se questiona e um livre pensador?

OS VALORES DAS OUTRAS RELIGIÕES

O Concílio se ocupou em exaltar os valores salvíficos ou simplesmente os valores das outras religiões. Falando das religiões cristãs não católicas, o Vaticano II que “mesmo que a consideremos vítimas de deficiências, elas não estão de modo algum desprovidas de significação e de valor no mistério da salvação” (173). Isto é uma heresia! O único meio de salvação é a Igreja Católica. As comunidades protestantes, enquanto estão separadas da unidade da verdadeira Fé, não podem ser utilizadas pelo Espírito Santo. Ele só pode agir diretamente sobre as almas, ou usar meios (por exemplo o batismo), que em si não leva nenhum sinal de separação.Alguém pode se salvar “no” protestantismo, mas não “graças” ao
protestantismo. No céu não há protestantes, há somente católicos! Eis o que declara o Concílio
a respeito das religiões não cristãs:
“A igreja católica não rechaça nada do que há de verdadeiro e santo nestas religiões. Ela considera com respeito estas maneiras de agir e de viver, estas regras e doutrinas, que embora em muitos pontos difira do que ela sustenta e propõe, tem, entretanto um raio da verdade que ilumina a todos os homens” (174).
Mas como? Eu deveria então respeitar a poligamia e a imoralidade do Islã, ou a idolatria dos hindus? Certamente essas religiões podem ter conservado elementos saudáveis, restos de uma religião saudável, restos de uma religião natural, ocasiões naturais para a salvação; ou seja, guardar vestígios de uma revelação primitiva (Deus, a queda, uma salvação), valores sobrenaturais ocultos que a graça de Deus poderia utilizar para acender em alguns a chama da
Fé nascente. Mas nenhum destes valores pertence ou é propriedade das falsas religiões. O próprio delas é errar, longe da verdade, a carência da Fé, a ausência da Graça, a superstição e até a idolatria. Em si mesmos, esses falsos cultos não passam de vaidade e aflição do espírito, inclusive culto rendido aos demônios. Os elementos salutares que podem subsistir ainda, pertencem por direito à única verdadeira Religião, a da Igreja Católica e somente Ela pode se valer deles.
(173) Dec. Sobre o Ecumenismo, “Unitatis Redintegratio”, nº 3.
(96) Decl. Sobre religiões não cristãs, “Nostra Aetate” nº 2.

Texto extraído do livro: DO LIBERALISMO À APOSTASIA - A TRAGÉDIA CONCILIAR
Autor: MONSENHOR MARCEL LEFEBVRE
Tradução: IIDEFONSO ALBANO FILHO
Editora: PERMANÊNCIA
RIO DE JANEIRO 1991
Capitulo XXVI, pág. 105.
Texto digitado por: Mércia Borges.

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