quinta-feira, 6 de março de 2008

A LIBERDADE DE IMPRENSA


Texto extraído do livro: DO LIBERALISMO À APOSTASIA - A TRAGÉDIA CONCILIAR
“Liberdade funesta e execrável,
verdadeira opressão das massas”.
Leão XIII

Se o leitor continuar a ler os documentos papais, um após outro, verá que todos disseram o mesmo sobre as novas liberdades nascidas do liberalismo: a liberdade de consciência e de cultos, a liberdade de imprensa, a liberdade de ensino, são liberdades envenenadas, falsas liberdades: porque o erro é sempre mais fácil de difundir do que a verdade, o mal é mais fácil de ser propagado do que o bem. É mais fácil dizer as pessoas: “podem ter várias mulheres” do que dizer: “só podem ter uma durante toda suas vidas”; logo é mais fácil estabelecer o divórcio como um “contrapeso” ao casamento! Assim também, deixem indiferentemente se propagar na imprensa o certo e o errado e verão com certeza o errado ser favorecido às custas da verdade.

Atualmente gostam de dizer que a verdade faz seu caminho somente com sua força intrínseca, e que para ela triunfar não necessita da proteção intempestiva e molesta do Estado e de suas leis. Se o Estado favorece a verdade, grita-se logo a injustiça, como se a justiça consistisse em manter equilibrada a balança entre o verdadeiro e o falso, entre a virtude e o vicio...Está errado! A primeira justiça é oferecer o acesso das inteligências à verdade e preservá-las do erro. É também a primeira caridade: “veritatem facientes in caritate”. Na caridade, façamos a verdade. O equilíbrio entre todas as opiniões, a tolerância de todos os comportamentos, o pluralismo moral ou religioso, são as características de uma sociedade em decomposição, que é a sociedade liberal procurada pela monarquia. Ora, foi contra o estabelecimento de uma tal sociedade que os Papas que citamos, reagiram sem cessar, afirmando o contrário, que o Estado, o Estado católico em primeiro lugar, não tem o direito de dar tais liberdades, como a liberdade religiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de ensino.

A Liberdade de Imprensa

Leão XIII lembra ao estado seu dever de temperar com justiça, ou seja, de acordo com suas exigências da verdade, a liberdade de imprensa:

“Continuemos agora essas considerações sobre a liberdade de exprimir pela palavra ou na imprensa tudo que se quer. Sem dúvida, se esta liberdade não é temperada pela boa medida, se ela ultrapassa os limites e a medida, uma tal liberdade, evidentemente, não é um direito, pois o direito é uma faculdade moral. E como nós já dissemos e devemos sempre repetir, seria absurdo pensar que esta faculdade pertence naturalmente e sem distinção nem discernimento à verdade e à mentira, ao bem e ao mal. A verdade, o bem, pode-se propagá-los no Estado com uma liberdade prudente para que um maior número seja beneficiado; mas as doutrinas falsas, peste mortal para as inteligências, os vícios que corrompem os corações e os costumes, é justo que a autoridade pública os reprima com diligência, para impedir que o mal se estenda e corrompa a sociedade.

E as maldades das mentes licenciosas que redundam em opressão da multidão ignorante não devem ser menos punidas pela autoridade das leis que qualquer atentado da violência cometido contra os fracos. E essa repressão é tanto mais necessária quanto mais indefesa é a grande maioria da população, impossibilitada de se defender contra esses artifícios do estilo ou as suas sutilidades da dialética, principalmente quando tudo isso excita as paixões. Dê a todos a licença ilimitada de falar e escrever e nada mais será sagrado e inviolável, nada será poupado, nem mesmo estas verdades primeiras, estes princípios naturais que devemos considerar como um nobre patrimônio comum a toda a humanidade. A verdade é assim invadida pelas trevas e nós assistimos, como tantas vezes, o fácil estabelecimento e a plena dominação dos erros, os mais perniciosos e os mais diversos”(95).

Nós já vimos como o Papa Pio IX, antes de Leão XIII estigmatizou a liberdade de imprensa no Syllabus (proposição 79). Já Gregório XVI o fizera na encíclica “Mirari Vos”:

“Aqui tem lugar àquela péssima e nunca suficientemente execrada e detestada liberdade de imprensa que alguns homens ousam, com tanto barulho e insistência, pedir e espalhar. Ficamos horrorizados, Veneráveis irmãos, ao contemplar com que monstruosas doutrinas, ou melhor, de que monstruosos erros nos vemos cercados. Erros espalhados ao longe e em toda parte, por imensa quantidade de livros e folhetos, pequenos em seus volumes, mas enormes em sua malicia, de onde corre essa maldição que cobre a face da terra e nos faz chorar. E por desgraça há quem, levado a tal descaramento, afirme que esta avalanche de erros, nascida da liberdade de imprensa, seja plenamente compensada pela publicação de alguns livros escritos para defender, no meio desta tempestade de perversidade, a verdade da religião” (96).

E aí aparece, desmascarado pelo Pontífice, o pseudoprincípio liberal da “compensação”, que pretende que se deva compensar a verdade pelo erro e vice-versa. Como veremos, esta idéia é o primeiro princípio daqueles que se chamam “católicos liberais”, que não suportam a afirmação pura e simples da verdade e exigem que ela seja contestada imediatamente por opiniões opostas; e reciprocamente julgam que não há nada a censurar na livre difusão dos erros, contanto que a verdade possa se fazer ouvir pelo menos um pouco! É a constante utopia dos liberais ditos católicos, que voltaremos a tratar adiante.
(95) “Libertas”, PIN. 207.
(96) PIN. 25.

Texto extraído do livro: DO LIBERALISMO À APOSTASIA - A TRAGÉDIA CONCILIAR
Autor: MONSENHOR MARCEL LEFEBVRE
Tradução: IIDEFONSO ALBANO FILHO
Editora: PERMANÊNCIA
RIO DE JANEIRO 1991
Capitulo XI, pág. 54.
Texto digitado por: Mércia Borges.



Nenhum comentário: