domingo, 15 de julho de 2007

Dom de Linguas

Tomamos por base. Primeiramente, os estudos bíblico do doutor em línguas e literaturas Semitas, Licenciado em Sagradas Escrituras e professor de Exegese da Faculdade de Teologia de Belo Horizonte, Pe. Luiz I.J. Stadelmann, S.J., que alem de várias obras escritas, foi também o tradutor de vários livros do A.T. para a edição da “Bíblia de Jerusalém” da Paulus Editora, e da Bíblia Sagrada da Ed. Vozes.

Uma consideração importante de Stadelmann é sobre os textos bíblicos que se referem ao dom de línguas:

“Nos atos, três passagens mencionaram a manifestação do Espírito Santo falando línguas estrangeiras: a primeira em Pentecoste (Atos 2,4); a segunda, no momento do batismo do Centurião Cornélio (Atos 10,46) e a terceira, por ocasião do batismo dos discípulos em Efeso (At 19,6).

É importante notar que todas essas passagens se referem à fala el línguas estrangeiras.” Alem das passagens acima, o outro texto que menciona o dom de língua é a primeira Carta aos Corintios. Não se encontram outra referencia nem no Antigo e nem no Novo Testamento.

A comunidade de Corinto merece uma atenção especial do autor, contendo em vista que é a única que se menciona tal dom: “A comunidade de Corinto foi fundada por São Paulo entre 49 e 52 d.C., durante a sua permanência de um ano e meio ( Atos 18, 11)... Embora tendo se ausentado, permanência em correspondência epistolas com os cristão de Corinto... que constituíam um grupo segregado, uma espécie de oásis dentro de uma sociedade politeísta, hipertrofiada de hiedonismo: O tempo de Afrodite que abrigava em torno de mil hieródulos e hieródulas...Os cristão tinham duas opções: fechar para evitar a contaminação pagã ou abrir-se para a incorporação de pessoas convertidas do paganismo e comprometidas na ação transformadora ( At. 18,10): “...Perceberem que a comunidade cristã não podia ser uma seita, nem uma associação elitista ou um conventículo fechado, mas um grupo aberto que se alegrava em poder incorporar continuamente novos membros.” Acolhiam judeus, pagãos, ricos e pobres, escravos e legionários; marinheiros, comerciante, funcionários públicos, etc. “ Corinto era uma cidade cosmopolita, com porto marítimo, de rotas internacionais entre o Oriente e o Ocidente...”
Segundo o Pe. LuizI.J. Stadelmann, de acordo com a ciência, é a heterogeneidade típica de Corinto que leva a acontecer ali o fenômeno do dom de línguas, entendendo-o , no entanto, como capacidade de falar e entender línguas estrangeiras.

“O Dom das línguas é a capacidade de transmitir a mensagem de oração em língua estrangeira. Supõe-se uma comunidade heterogenia, cujos componentes eram cristãos, uns nativos do respectivo lugar e outros provindos do estrangeiro..”É de se notar que na 1°. Carta aos tessalonicenses não se menciona o dom o dom de línguas, embora São Paulo a tenha escrito quando estava empenhado na evangelização e na organização da vida litúrgica dos Corintios.

Isso é devido ao fato de que não havia cristãos estrangeiros em Tessalônica e por isso a comunidade cristã era homogênea.

Ademais, essa cidade não era cosmopolita, e sua porto marítimo não estava incluído nas rotas internacionais do navios mercantes.”

“A assídua freqüência à liturgia por parte dos cristãos que falavam línguas estrangeiras surpreendeu os Corintios ao constatarem que esses não levaram a romper a unidade e a paz da Igreja local. Antes, pelo contrario, a presença deles contribuía para uma vitalidade da fé cristã, que só podia ser fruto do Espírito.”

“Os componentes da Igreja de Corinto haviam sido, em grande parte, convertidos ao cristianismo por São Paulo; outros foram atraídos pela fama do grande apóstolo dos gentios.

Alguns podem ter pertencido ao grupo de peregrinos que se encontravam em Jerusalém no dia de Pentecostes ( At. 2,9-11).

“Por isso não é de estranhar que na celebração litúrgica se ouvissem cristão de diversas proviniência, rezando em vários idiomas”.

“Mensagens de oração em idiomas estrangeiros eram recitadas por cristãos que freqüentavam celebrações litúrgicas nos paises onde o cristianismo tinha sido implantado antes da vinda de São Paulo a Corinto. O latim era falado em Roma, donde vieram Áquila e Priscila ( At. 18,2) O etíope era falado na comunidade crista da Etiópia, talvez fundada pelo camareiro da rainha de Candace ( At. 8, 26-29). O Copta era o idioma dos cristãos de Alexandria, donde ceio Apolo 9 At. 18, 24-28). O hebraico era conhecido dos judeu-cristão...”

Afirma São Paulo que sabe falar “...línguas” ( em grego: glossais); o verbo falar( laleo) rege o dativo de modo: “ falar” seguindo do complemento glossais, cujo o sentido é palavras estrangeiras” e não línguas”...Trata-se aqui da capacidade de expressar uma mensagem de oração por meio de palavras estrangeiras. Isso se confirma com o testemunho do próprio São Paulo, que prefere “falar cinco palavras que entende, para instruir os outros, a falar dez mil palavras em línguas” . ( 1 Cor14, 18-19)...Usa, portanto, de hipérbole, como figura estatística,para exagerar o teor de uma afirmação. Convém notar a distinção entre “ palavras que a gente entende, isto é palavras em línguas vernácula, e “palavras em língua”, isto é, palavras estrangeiras de uso corrente nos idiomas falados em outros países, ex: o etíope, copta, licaônio, púnico etc., para citar somente alguns idiomas desconhecidos de São Paulo, que falava o grego, o hebraico, o aramaico ocidental e o dialeto de Jerusalém... Como cidadão Romano conhecia também o latim...”

“Quem “fala em línguas não fala para os homens, e sim para Deus”. Ninguém o entende, pois falar coisa misteriosas sob a ação do Espírito” ( 1 Cor 14,2). “Trata-se, portanto, de uma mensagem de oração enunciada por cristão estrangeiros que frequentavam a assembléia cristã, na qual o grego era a língua oficial...”

Enfim, a conclusão a que o autor leva é a de que aquela comunidade formada numa cidade cosmopolita, composta de tantos e tão diversificados estrangeiros, manter-se única é uma demonstração da ação do Espírito Santo. Mas requeria, porém, algumas normas práticas orientadas os membros, dando contrições de se expressarem e garantindo que houvesse interpretes, afim de que os demais ficasse cientes do que estava sendo falado. “Sobre o procedimento correto na exteriorização do dom das línguas na liturgia na língua, tornou-se necessário traçar algumas normas práticas para não comprometer a celebração principal, que consiste na ação litúrgica sacramental...”.

O que precisa fica claro para a assembléia cristã é a comunidade litúrgica é uma reunião religiosa e não um clube público. Ali as pessoas se reúnem em pequenos grupos e falam entre si em ambiente descontraídos, expressando-se cada qual no idioma próprio do seu país sobre os mais diversos assuntos. Porém, a assembléia cristã tem como objetivo comum o louvor de Deus, prestado em alta voz por todos os participantes. Se todos falassem de assuntos diferentes em línguas estrangeiras, surgiria uma confusão generalizada, levando “ouvintes simples ou inféis a dizerem que estais loucos” (1 cor 14,23).

O texto de de São Paulo traz uma observação de cunho organizativo, de validade perene para a liturgia: não se admite improvisação no culto divino. Tratando-se do dom das línguas impõe-se uma limitação quando ao numero de individuo: não falem se não dois ou três, quando muito ,. Cada um por sua vez” (1 Cor 14, 27).


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