quinta-feira, 7 de junho de 2007

Dom de lingua


SUMA TEOLÓGICA VII
Para refletir!
Quem é, mas confiável, São Tomas de Aquino e Santo Agostinho santos doutores da Igreja,ou os hereges fundadores do pentecostalismo que blasfemam todo mal contra Jesus Eucarístico e a Virgem Santa Maria.
Artigo 1
O que possuía o dom das línguas falavaTodas as línguas?QUANTO AO PRIMEIRO ARTIGO ASSIM SE PROCEDE: parece que os que possuíam o dom das línguas, não falavam todas as línguas.1. Com efeito, o que é concedido pelo poder de Deus é o melhor em seu gênero; assim, a água que o Senhor converteu em bom vinho, como narra o Evangelho de João. Ora, os que tinham recebido o dom das línguas e exprimiam-se melhor em sua própria língua, como diz a Glosa: Não é de admirar que a carta aos Hebreus se distinga das outras por sua eloqüência, pois é natural que cada um se exprima melhor na sua própria língua que numa língua estrangeira.As outras cartas, o Apóstolo as escreveu numa língua estrangeira, isto é, em grego, ao passo que escreveu essa em hebraico, os Apóstolos não receberam, por graça grátis dada, o conhecimento de todas as línguas.__________________________________________________1 Parall.:Cont Gent.III,154;I ad Cor., c 14, lect. 1.1 . Lombardi:ML 192,400 C__________________________________________________(a). Estes dois pontos serão tratados sucessivamente nas duas questões seguintes. Sua situação no tratado dos carismas é evidente. Tomás é bem explícito a esse respeito: Os dons gratuitos são dados em vista da utilidade comum...Ora, o conhecimento que temos de Deus não poderia servir para outrem senão por meio do discurso.E como o Espírito Santo não omite nada do que é útil à igreja, ele também assiste os seus membros em seus discursos, não só para que eles sejam compreendidos por todos, o que cabe ao dom das línguas, mas ainda para que eles falem com eficácia, o que deriva da graça do discurso.
2. Além disso, a natureza não faz por muitos meios o que pode fazer por um só; e muito menos Deus, que opera mais ordenadamente que a natureza.Ora, Deus podia fazer com que seus discípulos fossem entendidos por todos, falando numa só língua.Por isso, a respeito daquelas palavras dos Atos dos Apóstolos “cada qual os ouvia falar em sua própria língua”, diz a Glosa:Porque falavam as línguas de todos ou, falando a sua própria, isto é, a hebraica, eram entendidos de todos como se falassem na própria língua de cada um dos ouvintes “. Logo, parece que não tiveram a ciência de falar todas as línguas”.3. Ademais, todas as graças derivam de Cristo para o seu corpo, que é a IGREJA, conforme se diz no Evangelho de João: ”De sua plenitude todos recebemos”. Ora, Cristo falou uma só língua; e os fiéis não falam agora mais do que uma língua. .Logo, parece que os discípulos de Cristo não receberam o dom das línguas para falar em todas elas.Em sentido contrário, diz –se nos Atos dos Apóstolos: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os impelia a que se exprimissem”. Uma Glosa de Gregório assim comenta: “O Espírito Santo apareceu sobre os discípulos em línguas de fogo e lhes deu o conhecimento de todas as línguas”.
RESPONDO.Os primeiros discípulos de Cristo foram escolhidos para percorrerem o mundo pregando a sua fé a todos, como se lê no Evangelho de Mateus: ”Ide e ensinai a todos os povos”. Ora, não era conveniente que aqueles que eram enviados para instruir os outros, precisassem ser instruídos por eles sobre a maneira de lhes falar ou de compreender sua linguagem.Sobretudo por que estes enviados eram da mesma nação, da Judéia como havia predito Isaías: Aqueles que sairão impetuosamente de Jacó encheram com sua raça a face da terra. Além disso, os discípulos enviados eram pobres e sem poder; eles não teriam encontrado facilmente, desde o começo, intérpretes fiéis para traduzir suas palavras ou lhes explicar as dos outros, principalmente por terem sido enviados a povos infiéis. Por esta razão, era necessário que Deus lhes viesse em socorro com o dom das línguas, a fim de que, como se havia introduzido a diversidade de línguas, quando os homens começaram a dar-se à idolatria, como se lê no livro de Gênesis, assim se desse o remédio a essa diversidade, quando tivessem que ser convertidos ao culto de um só Deus.(b)Quanto ao primeiro, portanto, deve-se dizer que na carta aos Coríntios “a manifestação do Espírito se dá para a utilidade da IGREJA”.Por isso, tanto Paulo como os outros apóstolos foram instruídos por Deus na língua de todas gentes, segundo o requeria o ensinamento da fé. Quanto a certas particularidades que se adquirem por esforço humano, como beleza e elegância de expressão, o apóstolo fora instruído na sua própria língua, e não numa língua estrangeira. Assim também, quanto à sabedoria e a ciência, os apóstolos foram instruídos por Deus tanto quanto requeria o ensinamento da f é, mas não em todas as coisas que se adquirem pelo estudo, como, por exemplo, as conclusões da aritmética ou da geometria.
Quanto ao segundo, deve –se dizer que, embora uma e outra coisa pudesse acontecer, a saber: ou que, falando uma só língua fossem compreendidos de todos ou que eles falassem as línguas de todos.Com tudo era mais conveniente esta segunda solução, porque tocava à perfeição de sua ciência, pois eles não só podiam falar, como também entender o que os outros diziam.Se todos entendessem a única língua dos pregadores, isto seria, ou pela ciência dos ouvintes, que podiam entender aos que falavam, ou seria uma ilusão, pois percebiam com seus ouvidos palavras muito diferentes daquelas que proferiam os que lhes falavam. Por isso diz a Glosa sobre: ”Maior milagre foi que eles falassem a língua de todos”. E Paulo diz: ”Dou graças ao meu Deus porque falo às línguas que todos vós falais”.Quanto ao terceiro, deve –se dizer que Cristo só pregou pessoalmente a uma única nação, a dos judeus, e, embora possuísse sem duvida perfeitissimamente a ciência da todas as línguas, não convinha que fizesse uso de todas elas.Por isso, diz Agostinho “Atualmente, todos recebem o Espírito Santo e, não obstante, não falam as línguas de todos, porque a Igreja já fala as línguas de todos os povos, e aquele que não pertence à Igreja não recebe o Espírito Santo”.(Cont.pág.558).
(b).Tomás examina aqui o dom feito aos apóstolos no dia de Pentecostes, de poder exprimir-se em línguas estrangeiras para serem compreendidos pelos diversos povos aos quais eles eram enviados. Seguindo uma imagem preferida pelos Padres da Igreja, ele faz do evento de Pentecostes o paralelo invertido do que se produzira no momento da construção da torre de Babel: o pecado dos homens acarretou na dispersão e a impossibilidade de se compreender, mas a vinda do Espírito de amor permite doravante superar esse obstáculo.

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