segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Sentimos "aquela sensação gostosa".

Cito-lhe um texto, em que Padre Jonas Abib trata do "dom da profecia”:
"Na palavra de profecia, o próprio Deus nos fala, às vezes consolando, às vezes exortando, noutras repreendendo. E é interessante notar que o efeito da palavra de profecia sobre a assembléia é muito positivo. A palavra de profecia muda o ambiente do grupo de oração. O efeito da palavra de profecia faz diferença dentro de nós. Quando há palavras que não são de profecia, o ambiente fica pesado, monótono, o que prejudica a oração. Com a palavra de profecia não é assim: nós a recebemos e sentimos” aquela sensação gostosa “. Mesmo quando é severa, percebemos que vem de Deus, e isso eleva o grupo todo, eleva a oração. Há mais unção, mais força, mais espontaneidade" (Padre Jonas Abib, Aspirai aos Dons Espirituais, Loyola, São Paulo, 1995, p. 85. Os negritos são meus).
Veja, que os critérios estabelecidos pelo Padre Jonas para reconhecer o "dom de profecia" são completamente subjetivistas e sentimentais. Ele chega ao cúmulo de colocar como critério o sentir "aquela sensação gostosa!” (?).
Numa matéria tão grave, confiar nos sentimentos e em "sensações gostosas" é sumamente imprudente e errado.
Tanto mais que o próprio Padre Jonas previne, duas páginas depois, que existe a chamada "falsa profecia”:
"Além da palavra de profecia, existe a chamada” falsa profecia “! Não quero assustar ninguém, porque a falsa profecia é muito rara. Mas já a encontrei algumas vezes!”.
“Quando acontece a falsa profecia?”.
"Na falsa profecia, não é Deus quem fala: é o espírito do mal que abusivamente procura falar" (Padre Jonas Abib, op. cit. P. 87. O negrito é meu).
Portanto, Padre Jonas reconhece que -- pelo menos raras vezes, mas acontece -- que o espírito do mal, o demônio, -- “puisqu" il faut l’appeller par son nom “--, o demônio procura enganar os fiéis, simulando dons do Espírito Santo”.
Se for assim, todo o cuidado então é pouco, sendo imprudente confiar "naquela sensação gostosa", já que o diabo pode nos iludir também com "sensações gostosas".
E com o dom de línguas... Estranhas não poderia acontecer o mesmo, como, aliás, acontece em sessões espíritas, em que o demônio fala em línguas desconhecidas através do médium, como a Igreja sempre preveniu?
Quanto ao dom de línguas, Padre Jonas nos diz outras coisas muito surpreendentes.
Por exemplo, ele afirma que o dom de línguas "revela o mundo sobrenatural”.
"O dom de línguas revela o mundo sobrenatural; ele é como uma chave que nos abre o mundo espiritual. É como se deixássemos a dimensão natural para ingressar na dimensão sobrenatural" (Padre Jonas Abib, op. cit. P. 65).
Essas afirmações são inaceitáveis.
Ingressamos na ordem sobrenatural pelo Batismo e não pelo que Padre Jonas Abib denomina "dom de línguas". A afirmação dele implica numa negação do efeito próprio do Batismo que nos faz filhos adotivos de Deus pela recepção da Graça santificante, que é a vida de Deus na alma.
Na mesma página, Padre Jonas, confirmando seu erro, nos garante que "Quando oramos e cantamos em línguas, promovemos uma maravilhosa união entre a terra e o céu, entramos na Comunhão dos Santos" (P. Jonas Abib, op. cit. P.65. O negrito é meu).
Isso é contrário à doutrina católica: entramos na comunhão dos santos ao sermos batizados. De novo, nota-se nas palavras do Padre Jonas Abib uma desvalorização, senão a negação, pelo menos implícita, dos efeitos próprios do Batismo. Essa negação implícita dos efeitos próprios do batismo explica porque ele dá -- com a RCC -- tanta ênfase ao que ele chama de "batismo do Espírito Santo".
Padre Jonas Abib parece que ou não leu, ou não deu importância ao que a CNBB escreveu, em 1994, quer sobre o chamado "batismo no Espírito Santo", quer sobre os carismas, assim como sobre a temeridade de pedi-los e a presunção de tê-los, pois Padre Jonas, em seus livros, não só incita temerariamente a pedi-los, mas deixa claro que presume possuí-los, e que muitos outros membros da Canção Nova os receberam.
Eis o que disse a CNBB, a esse respeito:
"55. Dons e Carismas: O grande dom, que deve ser por todos desejado, é o da caridade:” Aspirai aos dons mais altos. Aliás, passo a indicar-vos um caminho que ultrapassa a todos...”(1 Cor 12, 31-13,13). "A caridade é o primeiro dom e o mais necessário, pelo qual amamos a Deus acima de tudo e o próximo por causa dele" (LG, 42).
"56”.O Espírito Santo unifica a Igreja na comunhão e no ministério. Dota-a e dirige-a mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos “(LG, 4). O Espírito opera” pelas múltiplas graças especiais, chamadas de carismas, através das quais torna os fiéis aptos e prontos a tomarem sobre si os vários trabalhos e ofícios que contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja “(Catecismo da Igreja Católica, 798). Os carismas devem ser recebidos com gratidão e consolação. E não devem ser temerariamente pedidos nem se ter à presunção de possuí-los (cf. LG, 12)”.
"57. Haja muito discernimento na identificação de carismas e dons extraordinários. Diante das pessoas que teriam carismas especiais, o juízo sobre sua autenticidade e seu ordenado exercício compete aos pastores da Igreja. A eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar as coisas para ficar com o que é bom (cfr. 1 Tez 5,12.19.21). Assim, também no que se refere aos carismas, a RCC se atenha rigorosamente às orientações do Bispo Diocesano" (CNBB, Documento com Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica, elaborado na Assembléia Geral da CNBB em novembro de 1994. Os negritos são nossos).
A CNBB recomendou que "haja discernimento na identificação dos carismas". Padre Jonas os reconhece por "aquela sensação gostosa...”.

informações retirada da MONTFORT Associação Cultural

Um comentário:

André disse...

Lamentável uma coisa deste tipo em um Padre.
Se São João da Cruz, um autêntico místico católico, conferi-se hoje tal absurdo do "discernimento" do padre carismático, teria um chilique...